segunda-feira, 31 de março de 2008

Diferença entre Moral, Direito e Ética, situados no campo das Ciências.

Começo pela moral. Palavra derivada do latim mos, que significa os costumes. Penso o termo moral como um conjunto de regras internalizadas, produto de um processo cultural, que trata dos atos humanos historicamente constituídos. Como tal, a moral pode sofrer variações ao longo dos tempos. Isso pode ocorrer em função de aspectos conjunturais das relações interpessoais. Sendo assim, a moral humana não tem um padrão que seja único e válido para todo tempo e lugar. Cada indivíduo procede em atos morais voluntários. Quando o indivíduo pratica um ato tendo em si uma intencionalidade coletiva e quando este ato possui um sentido universal, livre de qualquer forma de coação, disposição própria, esta ação é denominada de ação moral ou ato moral.
Já o Direito busca estabelecer regras para uma sociedade delimitada pelas fronteiras do Estado. Também é uma palavra de origem latina, originada do particípio passado do verbo dirigere, dirigir, regular. Funciona com base nas leis territoriais, ou seja, essas leis valem apenas para sociedade daquela área geográfica onde uma determinada população vive.
Existem pesquisadores que afirmam que as leis são fundamentadas com bases morais, isto é, o direito é um sub-conjunto da Moral. Esta idéia pode gerar a conclusão de que toda a lei é moralmente aceitável. Porém, inúmeras situações do direito demonstram a existência de conflitos entre a Moral e o Direito.
Senão vejamos, a desobediência civil ocorre quando argumentos morais impedem que uma pessoa acate uma determinada lei. Este é um exemplo de que a Moral e o Direito, apesar de referirem-se a uma mesma sociedade, têm perspectivas diferentes, mas não excludentes entre si.
Buscando fazer um enquadramento do direito enquanto conceito eu diria que direito define-se por tudo o que é justo e de conformidade com a lei pré-estabelecida e a justiça. Fica o problema de se estabelecer o critério de justiça a ser aplicada. No caso de um indivíduo com ideal liberal legislar sobre a lei, provavelmente ele vai privilegiar o capital, por outro lado se for o trabalhador, o trabalho. Na prática, o que é bom para um não é bom para o outro.
No direito é necessário fazer com que os legisladores e juizes busquem um embasamento antropológico e por tanto cultural da sociedade sob sua tutela, quando se tratar de formular e julgar as leis.
A palavra ética tem sua origem no grego ethos, e designa a morada humana. Como ciência a Ética é uma área do conhecimento que faz uma reflexão, que estuda, investiga o Ethos social de um povo, e é composta por um conjunto de princípios morais, que constroem regras de civilidade de modo a dar equilíbrio nas relações humanas.
Um dos objetivos da Ética é a busca de justificativas para as regras propostas pela Moral e pelo Direito. Ela é diferente de ambos - Moral e Direito - pois não estabelece regras formais. O que ela faz é refletir sobre um ideal de ação humana mais universal.
Diante deste contexto, situar a ética no campo das ciências é fácil. A julgar pelo aspecto da casualidade, da finalidade e da normatividade de que a Ética é composta.
Por tanto, a ética enquanto ciência busca a universalização da verdade histórica, relativizando as realidades que tratam das relações de procedimentos de produção que transformam a matéria, de regras e princípios que buscam explicar os fenômenos e coisas até as realidades de normas de conduta que orientam o nosso comportamento em relação às outras pessoas.
Este pensamento universalizado que equilibra as relações de causa e efeito e as relações de caráter de meios e fins (teleologia), já credencia uma colocação de destaque da Ética no campo das ciências culturais.

Ernesto de Melo Fleury

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Cultura, Ideologia e Comunicação Social no Brasil

Os grandes povos do mundo ocidental capitalista adotam como fundamento cultural a valorização do capital, como justificativa aos bens materiais por entenderem que isso dê privilégios, poder e prestígio. Bom este fato é causa de grandes desigualdades sociais, culturais e ideológicas.
Cito estes aspectos: cultural, social e ideológico, por entender que são estruturais dentro de uma sociedade. Temos por tanto que identificar e conviver com os vários lados de uma mesma sociedade, sobre tudo nós os jornalistas formadores de opinião.
Preferir seguir uma linha mais livre que se paute em valorizar e procurar entender as manifestações culturais como peças estruturais na organização e universalidade erudita e popular de uma sociedade é antes de tudo respeitar nossos antepassados. Lutar contra os poderes ideológicos que censuram e discriminam determinadas manifestações culturais é tarefa não só do jornalista, mas de todo cidadão “livre”. Uma sociedade evoluída teve ter a maturidade de conviver com o diferente em seu meio democraticamente.
Esta luta ideológica é uma constante no mundo e seu objetivo é conquistar e manter o poder da informação nas mãos. Para isso são gastos milhões de reais em publicidade todos os anos, destinada única e exclusivamente a massificação de cultura, ou seja, manipulação de pessoas pelos monopólios de comunicação ideológica que culmina em uma verdadeira indústria de mentes.
Lutar contra estes valores fúteis e consumistas que a mídia prega e faz com que se deturpem uma série de conceitos e valores éticos do cidadão determinando uma contradição ideológica (visão de mundo) nos indivíduos, agindo como se fosse um vírus de computador, gerador de uma pane no sistema. O reflexo disso na sociedade é a substituição ou inversão de “valores” (familiares e de bons costumes) ditados e impostos pela mídia, tornando a sociedade não mais “livre” e sim “refém” de si mesma, por tanto defender um modelo de comunicação democrática e participativa é uma forma de mudar este quadro.
Vivemos uma ditadura não militar, mas ideológica forjada não na força física, mas no cerne de nossas cabeças, dando-nos sensações de liberdade e prazer artificiais e impondo o consumismo como forma de salvação.
No entanto este processo dominante de alienação, imposta a grande massa da população gerou uma grande “teia” com tentáculos duros e desconfortáveis, onde atualmente nota-se uma grande insatisfação popular com a péssima qualidade da programação da televisão, o que justifica a pouca variedade de opções de emissoras e canais em TV aberta no Brasil, principalmente sob o fato de serem pouco educativos.
Graças a Deus uma característica inerente à sociedade se faz presente, que é o de mobilização popular, onde se atribui inúmeras conquistas. Os vários movimentos sociais existentes são atuantes junto à sociedade e seus governantes, questionando e no mínimo promovendo uma reflexão no sentido de mudança e de justiça. Passando por caminhos preconceituosos e ideológicos, estes movimentos vão vencendo pouco a pouco.
Em fim, ideologia e visão de mundo, conquistas inerentes ao indivíduo subjetivo e imprevisível, mas capaz de amar e odiar, desejar e desprezar, ganhar e perder, ser fiel e infiel, ter fé e ser ateu, não importa, a humanidade teve ser tratada e respeitada enquanto seres humanos, pessoas, homens e mulheres e não como máquinas programadas por alguém para dar lucro a um monopólio ideológico fascista e impiedoso.