sábado, 16 de fevereiro de 2008

Cultura, Ideologia e Comunicação Social no Brasil

Os grandes povos do mundo ocidental capitalista adotam como fundamento cultural a valorização do capital, como justificativa aos bens materiais por entenderem que isso dê privilégios, poder e prestígio. Bom este fato é causa de grandes desigualdades sociais, culturais e ideológicas.
Cito estes aspectos: cultural, social e ideológico, por entender que são estruturais dentro de uma sociedade. Temos por tanto que identificar e conviver com os vários lados de uma mesma sociedade, sobre tudo nós os jornalistas formadores de opinião.
Preferir seguir uma linha mais livre que se paute em valorizar e procurar entender as manifestações culturais como peças estruturais na organização e universalidade erudita e popular de uma sociedade é antes de tudo respeitar nossos antepassados. Lutar contra os poderes ideológicos que censuram e discriminam determinadas manifestações culturais é tarefa não só do jornalista, mas de todo cidadão “livre”. Uma sociedade evoluída teve ter a maturidade de conviver com o diferente em seu meio democraticamente.
Esta luta ideológica é uma constante no mundo e seu objetivo é conquistar e manter o poder da informação nas mãos. Para isso são gastos milhões de reais em publicidade todos os anos, destinada única e exclusivamente a massificação de cultura, ou seja, manipulação de pessoas pelos monopólios de comunicação ideológica que culmina em uma verdadeira indústria de mentes.
Lutar contra estes valores fúteis e consumistas que a mídia prega e faz com que se deturpem uma série de conceitos e valores éticos do cidadão determinando uma contradição ideológica (visão de mundo) nos indivíduos, agindo como se fosse um vírus de computador, gerador de uma pane no sistema. O reflexo disso na sociedade é a substituição ou inversão de “valores” (familiares e de bons costumes) ditados e impostos pela mídia, tornando a sociedade não mais “livre” e sim “refém” de si mesma, por tanto defender um modelo de comunicação democrática e participativa é uma forma de mudar este quadro.
Vivemos uma ditadura não militar, mas ideológica forjada não na força física, mas no cerne de nossas cabeças, dando-nos sensações de liberdade e prazer artificiais e impondo o consumismo como forma de salvação.
No entanto este processo dominante de alienação, imposta a grande massa da população gerou uma grande “teia” com tentáculos duros e desconfortáveis, onde atualmente nota-se uma grande insatisfação popular com a péssima qualidade da programação da televisão, o que justifica a pouca variedade de opções de emissoras e canais em TV aberta no Brasil, principalmente sob o fato de serem pouco educativos.
Graças a Deus uma característica inerente à sociedade se faz presente, que é o de mobilização popular, onde se atribui inúmeras conquistas. Os vários movimentos sociais existentes são atuantes junto à sociedade e seus governantes, questionando e no mínimo promovendo uma reflexão no sentido de mudança e de justiça. Passando por caminhos preconceituosos e ideológicos, estes movimentos vão vencendo pouco a pouco.
Em fim, ideologia e visão de mundo, conquistas inerentes ao indivíduo subjetivo e imprevisível, mas capaz de amar e odiar, desejar e desprezar, ganhar e perder, ser fiel e infiel, ter fé e ser ateu, não importa, a humanidade teve ser tratada e respeitada enquanto seres humanos, pessoas, homens e mulheres e não como máquinas programadas por alguém para dar lucro a um monopólio ideológico fascista e impiedoso.

As causas das desigualdades sociais no Brasil

Falar deste assunto, tão atual, é ao mesmo tempo refletir sobre nossa vida, o mundo em que vivemos e para que vivemos tanto sob seu aspecto histórico, seu aspecto social, político em fim é ir na sua origem é buscar os fatos históricos (erros históricos) desta concepção de mundo que experimentamos e notamos tantas desigualdades sociais.
Questionar é importante, mas buscar o entendimento dessa sociedade extremamente desigual e ao mesmo tempo organizada em classes sociais distintas entre si, com características de linguagem próprias é extremamente complexo, como é complexo o indivíduo.
Acredito que a estratificação social (Max Weber) é um fator gerador de desigualdades, até porque os critérios de divisão estão em três esferas dimensionadas que são: a política, a econômica e a social. Os indivíduos se situam na escala de estratificação de modo diferente no âmbito das 3 dimensões de estratificação, assim, e entendo que havendo divisão na sociedade, não há como se fazer justiça social.
Karl Marx define que a relação de grupos de produção entre os indivíduos, forma a base que condiciona a sociedade a ser classista, desde modo a “informação” produzida pela classe dominante, manipuladora (atende a interesses econômicos) faça circular apenas a informação que lhes atenda. Fazendo com que esta informação não circule pela sociedade de forma democrática. Assim, esta informação em poder de poucos faz com que a divisão de classes fique mais desigual e isso só tende a piorar.
Com o grande fluxo de informação existente hoje e sobre tudo a forma com que seu conteúdo determina a vida social, ditando o certo e o errado, o bom e o ruim, o feio e o bonito, o rico e o pobre amplifica este quadro desigual.
O poder da informação monopolizada na sociedade sem nenhum tipo de controle é extremamente nocivo pela falta de isenção. O individuo é formado por estes meios de comunicação de massa (jornal, rádio e televisão), com extrema crueldade, pois isso acaba influenciando direta ou indiretamente o indivíduo em seu comportamento social. Acaba tirando, com isso as alternativas da busca de informação isenta, para que o individuo receptor tenha como comparar e analisar formando seu próprio juízo.
Com está desigualdade Dizer da falta de escolas públicas que seguem uma política de inclusão com qualidade em que meninos e meninas carentes possam usufruir e tirar proveito de um bom ensino, dando o subsídio necessário para que este indivíduo possa se desenvolver, é chover no molhado. Falar da falta do interesse dos políticos nas questões de saúde e educação neste país é sem dúvida um grave reflexo da verdadeira causa do caos da desigualdade social neste país.
Para fazer com que a classe pobre, ou seja, menos favorecida tenha uma mobilidade social crescente é necessário que cada indivíduo assuma um papel, cuja os ingredientes incluam algumas características próprias como: a busca de uma reflexão de mundo e sociedade, traçando objetivos, atitude de mudança de comportamento, luta por melhores ambientes sociais (escolas, postos de saúde, movimentos sociais, etc.), isso constitui em resgate à cidadania e luta social, não contra os outros grupos sociais e sim por uma melhor distribuição de renda, cobrando seus direitos junto às autoridades. É isso mesmo, essa atitude de engajamento de indivíduos reflete maturidade, coragem e sobre tudo vontade de mudança.
Em todas as relações humanas existe o erro e o acerto. No mundo em que vivemos a todo momento estamos sujeitos a errar e acertar, é claro, aprendemos com os erros até porque, não erramos sozinhos e nem acertamos sozinhos, a sociedade é dinâmica e sofre constantes mudanças, o indivíduo é dinâmico é também muda, evolui. Pensar uma sociedade mais justa seria pensar em uma sociedade mais evoluída.